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Lesões em esportes náuticos – do surfe à vela

O número de esportes praticados no mar, em lagos ou rios cresce a cada dia com esportistas aventureiros em busca de adrenalina e velocidade. Os esportes que envolvem saltos e aterrissagens são cada vez mais frequentes e os joelhos, com suas estruturas nobres, correm um risco cada vez maior de sofrerem lesões.
Histórica e estatisticamente, os esportes náuticos produzem mais lesões nos membrosinferiores e na coluna vertebral. A exigência e sobrecarga muscular, visando permanecer em equilíbrio sobre o barco ou a prancha leva à fadiga, que faz com que as lesões musculares sejam as mais comuns nos membros inferiores.

Outro fator importante, é o grau de experiência e expertise do atleta, onde os iniciantes (pela inabilidade com o equipamento e os movimentos) e os profissionais (pela velocidade que atingem e o número de horas de prática) estão mais suscetíveis as lesões.

Do ponto de vista ortopédico, a lesão mais temida pelos atletas é a entorse do joelho, onde a principal estrutura que atua na estabilização do joelho para movimentos rotacionais está em risco, o Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Sem esse ligamento, é praticamente impossível praticar esportes que tenha giro, troca de direção súbita, salto, aterrissagem e desaceleração, que são os chamados movimentos de pivô.

Uma vez lesionado, atualmente o tratamento preconizado é a reconstrução do ligamento. A cirurgia deve ser feita por um Cirurgião de Joelho, acostumado com a técnica e com a reabilitação. Além da escolha certa do enxerto, fazemos a reconstrução pela técnica chamada anatômica, que é considerada a mais estável, e comprovada por estudos biomecânicos como capaz de garantir estabilidade tanto para movimentos de anteriorização da tíbia como rotacionais. Após reabilitação dinâmica e progressiva que dura cerca de 4 a 6 meses, o atleta estará de volta as competições.

Outras estruturas nobres do joelho também podem ser acometidas numa entorse, como o Ligamento Colateral Medial (LCM) e os Menisco medial e lateral, que muitas vezes necessitam de tratamento cirúrgico especializado.

Como forma de prevenção das lesões, destaca-se a necessidade de trabalho proprioceptivo, aumentando o poder de recrutamento muscular em situações extremas; de trabalho de flexibilidade, principalmente, de tronco e membros inferiores, locais mais acometidos pelas lesões e de trabalho corporal global, para aumento de resistência muscular.

Dentre os diversos esportes náuticos, selecionamos alguns para correlacionarmos os principais tipos lesões no joelho. No Surfe, a incidência de lesão varia de 2,47 a 6,8 por 1000 dias de prática. A causa mais comum continua sendo os traumas contra a prancha.

Em se tratando do joelho, podemos citar dois tipos de lesão:  a postura sobre a prancha, em pé, com os joelhos forçados ao valgo e semi-flexão, principalmente durante as manobras, aumentam a sobrecarga nos componentes que geram estabilidade medial ao joelho, principalmente o Ligamento Colateral Medial, suscetível a sofrer lesão, geralmente, parcial ou estiramento e o surfista refere dor e instabilidade medial no joelho.

Outra lesão característica do surfe ocorre pela posição que o surfista fica sentado na prancha a espera da próxima onda, comprimindo a prancha entre as coxas, para tentar se equilibrar sentado. Com isso, existe a chance da compressão do nervo safeno, próximo ao terço distal da coxa. O atleta se queixa de dor e dormência na região medial da coxa e do joelho, e piora com a posição citada acima.

Já no Windsurfe as lesões do joelho são as mais frequentes entre as lesões graves deste esporte (30%). Principiantes e intermediários são mais suscetíveis à lesões no joelho, devido ao fato de não conhecerem adequadamente o ponto de fraqueza e vulnerabilidade que o joelho representa entre duas extremidades fixas.

Com a chegada da modalidade wave e das grandes velocidades, os velejadores passaram a enfrentar situações de maior risco, com aumento na incidência de lesões ligamentares do joelho, principalmente entre os velejadores mais experientes. Na modalidade wave, o salto é considerado o evento de maior risco para tais lesões, sobretudo na aterrissagem. A técnica inadequada de aterrissagem da prancha pode permitir um movimento torcional do joelho, principalmente quando o velejador se encontra com os pés fixos nas alças da prancha. Os ligamentos mais lesionados são o ligamento cruzado anterior e o colateral medial, embora exista a possibilidade de lesão de ambos os colaterais dependendo dos movimentos que a prancha realize.

O Iatismo é um esporte com popularidade crescente no Brasil, principalmente devido ao sucesso dos atletas nacionais em competições ao redor do mundo.  A ocorrência de lesões durante a sua prática é comum, pois as ações do velejador no barco são geralmente desconfortáveis, resultando em rotações, hiperextensões, torções e até mesmo bloqueios articulares, além de ações repentinas e esporádicas, expondo os músculos a alto risco de lesão ao executar movimentos explosivos e rápidos.

Cerca de 22% das lesões envolvem os joelhos. Estudo realizado com velejadores da America’s Cup 2000, relatou que 76% das lesões envolveram partes moles e que as lombalgias e os problemas no complexo do ombro representaram 16% cada um, seguidos dos joelhos com 10% e pela coluna cervical com 8%. Já Fontoura e Oliveira, ao analisar 165 velejadores amadores brasileiros, observaram que 38,2% tiveram problemas na coluna; 18,8%, problemas no pé e tornozelo (em sua maioria entorses, com 71% das ocorrências) e 16,4%, acometimentos nos joelhos.

De acordo com Allen, principalmente durante a escora, a articulação do joelho está submetida a um constante e intenso estresse, o que acarreta o aparecimento frequente da síndrome de dor patelofemoral. Outros autores citam que dentre as lesões ocorridas no joelho, o menisco lateral foi o local mais acometido, devido principalmente aos longos períodos de tempo que o velejador permanece com a mesma flexão do joelho e, no momento em que é exigida uma rápida extensão, ocorre um aprisionamento posterior do menisco e, consequentemente, uma lesão.

A incidência de lesões no iatismo é baixa se comparada com a de outros esportes competitivos, apesar da alta demanda física exigida durante as ações sobre o barco. Verificou-se que os atletas profissionais, que possuem maior média de idade e de tempo de prática, foram os mais acometidos por lesões. Em contrapartida, a incidência é menor entre os grupos de crianças e adolescentes. É importante, portanto, que programas de prevenção sejam iniciados desde os primeiros anos de prática, no intuito de reduzir o risco de acometimentos futuros, principalmente de natureza crônica.

Cada vez mais popular nas praias do litoral brasileiro, o Kitesurfe é uma modalidade esportiva recente e sua principal característica é a relação com a intensidade e a direção do vento, possuindo elevado índice de lesões. Pelo fato de terem muitas aterrissagens de saltos, o mesmo vale para o Esqui Aquático e para o Wakeboard.

Estudos demonstraram que a entorse é o tipo de lesão mais frequente, 35,6%. O local mais acometido são os membros inferiores, 50,7% e o agente etiológico que ocasiona a maioria das lesões é a manobra, 57,5%. Durante a prática, o atleta pode desenvolver velocidades de 48 a 64 Km/h e alturas acima de 15 metros, fatores que podem estar diretamente relacionados ao índice de lesões. A incidência é de 7,0 lesões por cada 1000 horas de prática.

A entorse foi a lesão mais prevalente, 35,6%, com maior percentual nos membros inferiores, 59,5%. Observando que o principal causador da lesão foi a manobra, é possível sugerir que esse tipo de situação envolve o movimento de pivô no joelho, rotação do fêmur em relação à tíbia fixa, podendo ocasionar ruptura ou estiramento dos ligamentos, cápsula articular e cisalhamento do menisco.

As pesquisas sugerem que o kitesurf pode ser considerado um esporte de alto-risco, já que o índice de lesões é bastante elevado e todas as partes do corpo ficam expostas. Independente do tempo de prática, as lesões são muito frequentes. São variáveis influenciadoras dessas particularidades as condições ambientais, climáticas e oceanográficas, e principalmente, a facilidade com que o praticante pode aprender a velejar de kitesurf mesmo tendo um baixo nível de aptidão física.

O Stand-up Paddle é febre nacional. Com cada vez mais adeptos, essa modalidade leva a uma postura frequente em semi-flexo do joelho para permitir o equilíbrio sobre a prancha, aumenta a chance de dor e sobrecarga na região anterior do joelho, por disfunção da articulação patelo-femoral. O tratamento seria exercícios de fortalecimento do quadríceps associado a melhora da flexibilidade da musculatura posterior da coxa e da panturrilha.

Por Rodrigo A. Góes
Cirurgia de Joelho / Traumatologia Desportiva / Medicina do Esporte
Médico Ortopedista do Comite Olimpico Brasileiro (COB – Time Brasil) nos Jogos Olímpicos de Londres 2012

 

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