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Lesões em mulheres, é possível prevenir?

A presença das mulheres em atividades esportivas é um fato cada vez mais frequente. Atualmente elas não se resumem a academia de musculação e ginástica localizada.

A presença das mulheres em atividades esportivas é um fato cada vez mais frequente. Atualmente elas não se resumem a academia de musculação e ginástica localizada. Pelo contrário, atividades antes ditas “masculinas”, como lutas, futebol, grupos de corridas estão se tornando cada vez mais um território feminino. Além do aumento do número de praticantes, ocorre também incremento intensidade, a inserção da competitividade e a busca em superar os próprios limites.
 
Um conjunto de fatores faz com que as mulheres que praticam esporte têm uma chance até 16x maior de sofrer lesão. O biótipo corporal, o modelo da pelve, a angularão dos joelhos, o ciclo menstrual e diferenças hormonais, a potência muscular entre outros.
 
Vamos tentar listar e explicar os principais problemas:
 
Dor anterior no joelho e Condropatia patelar – As mulheres, de uma forma geral, têm uma pelve mais larga (chamada ginecóide) que os homens, e isso ocorre para permitir a saída do filho concebido. Porém parece que essa alteração estrutural óssea cria uma enorme desordem no membro inferior das mulheres, levando a significativas alterações biomecânicas que são desfavoráveis.
 
Elas têm uma tendência ao Genovalgo dos membros inferiores (“pernas em tesoura, em X”), com consequente lateralização da patela, causando sobrecarga na articulação dos joelhos e a tendência ao desenvolvimento de uma patologia, chamada condropatia patelar, onde ocorre o desgaste progressivo da cartilagem da patela.
 
A queixa comum é dor, geralmente na região anterior do joelho, e ao redor da patela (peri-patelar), que piora ao subir e descer escadas ou ao praticar esportes com plano inclinado ou com sobrecarga de impacto. Podem ter também inchaço e limitação da flexão do joelho.
 
A grande maioria desses casos não é de tratamento cirúrgico, e sim de mudanças nos hábitos de vida, com a troca do sedentarismo pela prática regular de exercícios. Não se fala em cura, e sim, em como “conviver melhor com o problema”. Com orientação profissional, deve-se buscar o fortalecimento da musculatura da coxa (especialmente o quadríceps) e da perna (tibial anterior, tibial posterior, fibulares  e panturrilha) e principalmente a melhora da flexibilidade da cadeia posterior (isquiotibiais e panturrilhas). As dicas são, fazer o fortalecimento (cadeira extensora) um pouco mais curta, com angulação de 0º a 30º e alterar o posicionamento dos pés durante o Leg-press e agachamento, em leve rotação externa costumam ajudar.
 
O chamado “Momento Adutor” que ocorre devido ao tipo de pelve que as mulheres têm, a postura em valgo dos membros inferiores se acentua durante a marcha e ainda mais na corrida, quando com o apoio monopodal o joelho tem uma tendência a “entrar”, “ir para dentro”; isso significa que os músculos que “fecham” as pernas (adutores) são mais fortes que os que “abrem” (abdutores). A partir daí, uma série de problemas começam a ser gerados, sobrecarregando os joelhos e os pés, além do quadril e dos próprios tendões abdutores, como o Glúteo Médio. O segredo para não “quebrar” é fazer um treinamento preventivo, visando o fortalecimento desse músculo.
 
Frouxidão Cápsulo-ligamentar generalizada – O tecido das mulheres é mais elástico que o dos homens. Tem maior quantidade de uma proteína chamada elastina. Com essa alteração, aumenta, e muito, incidência de ocorrer lesões que causam instabilidade articular nas mulheres, como entorse de tornozelo, luxação de patela e luxação gleno-umeral (ombro). Poderíamos sub-dividir os estabilizadores articulares em estáticos (ossos e ligamentos) e dinâmicos (músculos e tendões).
 
Diante dessa tendência, vale a pena adotar uma série de exercícios de fortalecimento, utilizando elásticos do tipo Thera-band, com o intuito de fortalecer os estabilizadores dinâmicos, na tentativa de fazer um “envelope” muscular confiável e reduzindo a chance das luxações.
 
A dica seria fortalecer os músculos do Manguito Rotador do Ombro (Supra-espinhoso, Infra-espinhoso, Sub-escapular e Redondo Menor) e escápulo-torácica; o Vasto Medial Oblíquo do Joelho; os Tendões dos Fibulares Longo e Curto do tornozelo, além dos tibiais anterior e posterior. O treinamento progressivo de propriocepção e equilíbrio, especialmente quando realizado em superfícies instáveis são de grande valia para a prevenção.
Fratura por estresse – Ocorre como resultado de cargas sub-máximas aplicadas de forma excessiva e repetitiva sobre o osso, causando um desequilíbrio entre a formação e a reabsorção ósseas. O aumento da duração, intensidade ou freqüência da atividade física sem período adequado de repouso aumenta atividade Osteoclástica (reabsorção), com enfraquecimento da cortical óssea, favorecendo a rotura e consequente fratura do osso. Geralmente não ocorre um trauma agudo e sim, carga repetida sobre uma determinada área de osso, e os músculos que atuam na absorção, nesses casos geralmente estão enfraquecidos, não sendo capazes de absorver a pressão do impacto como deveria causando sobrecarga.
 
É mais comum em brancos, e até 12 vezes mais frequente no sexo feminino. Até 70% dessas fraturas ocorrem em corredores. Os locais mais comuns são a tíbia (50%) e o pé até 30%).
 
Alguns fatores intrínsecos como assimetria dos membros inferiores, anteverão femoral, genovalgo, tíbias finas e pisada pronada são relacionados ao aumento da incidência. Os fatores extrínsecos como modificações súbitas no treinamento (volume, intensidade, velocidade, piso) ou início do treinamento por despreparo muscular ou final de temporada por sobrecarga acumulada.
 
A atleta sente dor insidiosa, limitante, localizada, que piora durante a atividade e melhora com repouso. O tratamento depende da localização e do padrão da fratura, e por vezes necessita de cirurgia.
 
Tríade da mulher atleta – Composta por alterações nutricionais + alterações do ciclo menstrual (Amenorréia) + Osteoporose.
 
A busca constante para manter o baixo peso corporal, a performance superior, ao emagrecimento e o culto ao corpo perfeito, representam geralmente o início dessa tríade de sintomas, terrível, que atuam interferindo na performance esportiva e aumentando o risco da fratura por estresse.
 
Esta patologia, que envolve também o lado psicológico das pacientes, tem sido cada vez mais comum, inclusive nas mulheres amadoras.
 
Esportes onde o controle do peso corporal é necessário tanto para atividade atlética como para aspectos físicos correm maior risco. Mulheres que apresentarem apenas um componente da tríade devem ser avaliadas para possível presença dos outros componentes. Os componentes da tríade podem reduzir o desempenho físico, causar morbidez e até mortalidade.
 
Alimentação desordenada – Os comportamentos podem variar desde a restrição de alimentos, para conseguir uma redução ponderal ou aspecto magro até exageros alimentares (vômito induzido), podendo resultar em distúrbios alimentares.
 
Amenorréia – É a ausência de três ou mais ciclos menstruais consecutivos após a menarca. Quando associada ao exercício ou à anorexia nervosa, resulta em menor produção de hormônios ovarianos e em hipoestrogenemia semelhante à menopausa.
 
Osteoporose – Doença caracterizada pela massa óssea reduzida e maiores taxas de perda óssea. Práticas alimentares desordenadas, baixa ingestão de cálcio, combinada com disfunção menstrual, podendo levar a perda óssea.
 
Quais os Grupo de maior risco?
 
Todas mulheres e adolescentes fisicamente ativas correm o risco de desenvolverem um ou mais componentes da tríade;
 
A adolescência é a época mais vulnerável, ocorrem alterações biológicas, além do impulso social pela magreza e a preocupação com a imagem corporal que ocorre durante a puberdade;
 
Esportistas (profissionais e/ou recreacionais) que enfatizam um baixo peso corporal têm maior risco;
 
Modalidades como aeróbica, corrida, hipismo, danças, ginástica, lutas, natação, patinação artística e voleibol, são as mais atingidas.
 
Algumas dicas para a prática saudável:
 
Reserve um período do seu treinamento para os alongamentos, sejam passivos ou ativos;
 
Utilize tênis adequados para o seu tipo de pisada;
 
Controle do estresse emocional;
 
Uma avaliação pré-participação pode identificar possíveis problemas e assim evitá-los;
 
Alternar a atividade aeróbica (Corridas x Bicicleta x Transport x Natação x Hidroginástica) e alternar o piso (Areia x Grama x Esteira x Pista);
 
Repouso e boa alimentação fazem parte do treinamento e previnem lesão;
 
O limite do nosso corpo a gente só conhece quando ultrapassa ele. Treine com cautela, evolua de forma lenta e progressiva;
 
A dor é um sinal de alerta. Caso persista, de forma localizada por mais de 72 horas, procure um médico especialista em Traumatologia Esportiva.
 
 
 
Conclusão:
 
Importante realizar uma avaliação médica pré-participação, para mensurar os riscos de cada atividade esportiva que deseja praticar, e esta, é feita com um médico do esporte. Prevenir sempre é o melhor remédio!
 
Por: Dr. Rodrigo Góes – CRM: 52.73688-0
 
 

O Menisco - Da Avaliação e Lesão ao Transplante

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